A recente exposição de procedimentos estéticos faciais, amplificada por figuras públicas como Aline Campos no BBB 26, acendeu um debate crucial no universo da dermatologia e da cirurgia plástica. A busca por uma aparência aprimorada, impulsionada pelas redes sociais e por uma cultura de imagem, colide frontalmente com os riscos da padronização facial, da perda de identidade e, paradoxalmente, do envelhecimento precoce. Este fenômeno não é apenas uma questão de percepção, mas um reflexo direto de um mercado em franca expansão, que exige dos profissionais uma postura cada vez mais ética e criteriosa para equilibrar as expectativas dos pacientes com a busca por resultados naturais e seguros. Nesse contexto, a escolha de um profissional qualificado torna-se a decisão mais importante para quem deseja realizar qualquer intervenção estética. É fundamental buscar orientação em uma clínica de dermatologia especializada, onde a avaliação individualizada e o planejamento terapêutico são priorizados. Especialistas como a dermatologista Marília Acioli e o biomédico Dieick de Sá alertam que o verdadeiro desafio é saber quando intervir e, mais importante, quando dizer “não”, protegendo o paciente de exageros que podem comprometer não apenas sua aparência, mas sua saúde e bem-estar a longo prazo. A harmonia facial é uma arte que depende da ciência, do bom senso e de um profundo respeito pela individualidade de cada rosto. O Cenário Atual: Entre a Mídia e o Consultório O caso do BBB 26 serviu como um catalisador para uma discussão que já borbulhava nos bastidores dos consultórios dermatológicos. A aparência de participantes com lábios excessivamente volumosos e mandíbulas proeminentes gerou críticas e levantou um alerta sobre a “síndrome da distorção de imagem”, onde o paciente perde a referência do que é natural. O biomédico Dieick de Sá aponta um efeito preocupante: o excesso de preenchedores em pessoas jovens, ao invés de rejuvenescer, pode simular um processo de envelhecimento. O peso do material pode distender os ligamentos de sustentação da face e causar um aspecto de flacidez e cansaço, exatamente o oposto do desejado. Este debate expõe a responsabilidade ética do profissional, que deve atuar como um conselheiro de saúde, e não apenas como um executor de desejos momentâneos. A pressão midiática por um padrão de beleza inatingível cria um ciclo vicioso. Figuras públicas, muitas vezes, tornam-se vetores de tendências estéticas extremas, influenciando milhões de seguidores. O papel do dermatologista moderno, portanto, transcende a aplicação técnica; ele envolve educar o paciente sobre proporções, envelhecimento natural e as limitações de cada procedimento. A meta deve ser sempre realçar a beleza existente, e não transformá-la em uma máscara padronizada. Isso requer uma consulta detalhada, alinhamento de expectativas e um plano de tratamento que considere a estrutura facial única do indivíduo, sua idade e a qualidade de sua pele. O Pulsar do Mercado Estético Brasileiro: Números e Tendências Para entender a dimensão do fenômeno, é preciso olhar para os números. O Brasil se consolidou como uma potência global no mercado de beleza e estética. Projeções da Mordor Intelligence indicam que o setor no país deve atingir a marca de US$ 41,6 bilhões até 2028. Já em 2024, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil realizou 3,1 milhões de procedimentos, sendo 2,3 milhões cirúrgicos, posicionando-se como o segundo maior mercado do mundo, atrás apenas dos EUA. A lipoaspiração, o aumento de mamas e a rinoplastia continuam liderando o ranking de cirurgias, enquanto os procedimentos faciais não cirúrgicos apresentaram um crescimento de 10% entre 2023 e 2024. Um dado particularmente interessante é a crescente adesão do público masculino. Entre 2018 e 2024, o número de cirurgias plásticas em homens cresceu 95%, e os procedimentos não cirúrgicos aumentaram impressionantes 116%. Essa nova demanda, focada em resultados discretos e naturais, reforça a tendência de uma estética que valoriza a sutileza. Paralelamente, o mercado de injetáveis, como toxinas botulínicas e preenchedores de ácido hialurônico, deve movimentar 9,6 bilhões de euros globalmente até 2025, representando mais de 50% do mercado. Este crescimento exponencial traz consigo a necessidade de regulamentação. Espera-se que 2026 seja um marco, com a Anvisa implementando normas mais rigorosas de biossegurança e rastreabilidade, o que deve elevar o padrão de infraestrutura das clínicas e favorecer os especialistas mais qualificados. A Ciência Por Trás da Beleza: Mecanismos e Tecnologias O arsenal terapêutico da dermatologia estética é vasto e está em constante evolução. Os preenchedores injetáveis, principalmente à base de ácido hialurônico, são ferramentas poderosas para volumizar áreas como lábios e mandíbula. Seu mecanismo de ação consiste em repor o volume perdido e atrair água para o local, conferindo hidratação e sustentação. Contudo, quando aplicados em excesso, criam projeções artificiais e desproporcionais, como visto nos casos que geraram debate. A solução não está em abandonar a técnica, mas em aplicá-la com maestria, respeitando a anatomia individual. Em contrapartida, ganham cada vez mais destaque os bioestimuladores de colágeno. Diferente dos preenchedores que adicionam volume imediato, esses produtos (como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio) atuam estimulando os fibroblastos do próprio organismo a produzirem mais colágeno. O resultado é uma melhora gradual da firmeza, da espessura e da qualidade geral da pele, promovendo um rejuvenescimento mais natural e duradouro. Essa abordagem é ideal para tratar a flacidez e prevenir os sinais do tempo sem criar volumes artificiais. Além disso, o aprimoramento dos cosmecêuticos, com ativos como peptídeos sinalizadores, fatores de crescimento e antioxidantes de alta performance, permite criar rotinas de cuidados domiciliares que potencializam e mantêm os resultados obtidos no consultório. Tecnologias como lasers ablativos, peelings profundos e luz pulsada intensa também são eficazes para o resurfacing da pele, mas exigem cautela, especialmente em um país tropical como o Brasil. A indicação precisa e o período do ano (evitando o verão intenso) são cruciais para evitar efeitos adversos como a hiperpigmentação pós-inflamatória. A tendência aponta para uma combinação inteligente de técnicas: bioestimulação como base para a qualidade da pele, preenchedores em pontos estratégicos para sustentação (e não apenas para volume), e tecnologias para refinar a textura e tratar manchas, sempre dentro de um plano de tratamento personalizado. Da Teoria à Prática: Estudos de Caso e Protocolos Aplicados A análise de casos reais ilustra perfeitamente a importância da abordagem correta. O caso de Solange Couto é emblemático de uma transformação corporal bem-sucedida após uma grande perda de peso. Após cirurgia bariátrica e a eliminação de 40kg, a atriz passou por uma série de cirurgias reparadoras planejadas ao longo de uma década, incluindo abdominoplastia, mamoplastia e lipoaspiração em áreas como braços e quadril. O resultado, aos 69 anos, é uma silhueta harmoniosa. No entanto, o caso também serve de alerta para os riscos de combinar múltiplos procedimentos de grande porte (a chamada “megalipo”) em uma única intervenção, o que aumenta significativamente os riscos cirúrgicos. Especialistas como o Dr. Jairo reforçam a necessidade de um planejamento progressivo, priorizando sempre a segurança do paciente. Em contraste, o caso de Aline Campos levanta a bandeira vermelha para os excessos em pacientes jovens. A busca por lábios muito volumosos e um contorno mandibular extremamente definido pode levar a uma aparência artificial que não condiz com a estrutura óssea e os tecidos moles da pessoa. Para esse perfil de paciente, a abordagem recomendada seria muito mais sutil. Em vez de grandes volumes de preenchimento, o foco poderia ser na bioestimulação para manter a qualidade da pele, pequenos ajustes com ácido hialurônico para realçar pontos de luz e hidratação, e o uso de toxina botulínica para relaxar músculos específicos e prevenir rugas de expressão. O desafio é educar o paciente a apreciar a beleza da sutileza e a entender que “menos é mais”. A Voz da Experiência: Perspectivas e o Futuro da Dermatologia Estética As opiniões de especialistas renomados convergem para um ponto central: a ética profissional é o pilar de uma prática estética saudável. A habilidade de “saber dizer não” a um paciente com expectativas irreais ou com sinais de transtorno dismórfico corporal é tão importante quanto a habilidade técnica de realizar um procedimento. O futuro da área, que deve crescer a uma taxa de 5% ao ano até 2030, será marcado pela maturação do setor. A regulamentação mais estrita da Anvisa em 2026 irá separar os profissionais e as clínicas que investem em segurança e qualidade daqueles que operam na informalidade. As previsões apontam para um foco contínuo em tratamentos que promovem a saúde da pele de dentro para fora, como os bioestimuladores e as tecnologias que melhoram a qualidade dérmica. A personalização será a palavra de ordem, com planos de tratamento que combinam diferentes modalidades terapêuticas, incluindo cosmecêuticos avançados para uso domiciliar. A demanda por naturalidade, impulsionada tanto pelo público feminino quanto pelo crescente público masculino, guiará a inovação. Profissionais que dominarem a arte de entregar resultados que rejuvenescem sem transformar, que respeitam as proporções individuais e que priorizam a relação de confiança e segurança com seus pacientes serão os mais valorizados neste cenário promissor e desafiador. Recomendações dos Especialistas do SKIN TODAY Individualização como Regra de Ouro: Antes de propor qualquer procedimento, realize uma análise facial e corporal completa. Avalie a qualidade da pele, a estabilidade do peso, o estado nutricional e a estrutura óssea. Priorize protocolos que comecem com a melhora da saúde da pele, como a bioestimulação, construindo uma base sólida para intervenções mais pontuais. Pratique a Ética do “Não”: Desenvolva a habilidade de identificar expectativas irrealistas e recusar procedimentos que possam levar à padronização ou a resultados artificiais. Eduque seus pacientes sobre os riscos do exagero e os benefícios de um envelhecimento gradual e saudável, assumindo seu papel como consultor de saúde. Adote uma Abordagem Integrativa e de Longo Prazo: Combine tratamentos de consultório com recomendações de cuidados domiciliares (home care) utilizando cosmecêuticos avançados. Incentive hábitos de vida saudáveis, como fotoproteção e controle do estresse, que são fundamentais para otimizar e prolongar os resultados estéticos, construindo uma parceria duradoura com o paciente. A dermatologia estética vive um momento de oportunidades sem precedentes, impulsionado pela inovação tecnológica e por uma demanda crescente. Contudo, o verdadeiro avanço não reside apenas na próxima seringa ou no laser mais potente, mas na redescoberta do equilíbrio, na valorização da individualidade e no compromisso inabalável com a ética e a segurança. A beleza que perdura é aquela que respeita a identidade.



