A recente edição do Big Brother Brasil 26 acendeu um holofote sobre um debate cada vez mais presente nos consultórios de dermatologia e clínicas de estética: o limite entre a beleza e o exagero. Os casos de participantes como Aline Campos e Solange Couto trouxeram à tona discussões sobre padronização facial, perda de identidade e até mesmo um paradoxal envelhecimento precoce causado pela busca incessante pela juventude. Este fenômeno não é isolado e reflete uma tendência global que desafia profissionais a equilibrarem o desejo do paciente com a ética e a ciência, levantando um alerta crucial sobre os rumos dos procedimentos estéticos no país que é o segundo maior mercado do mundo no setor. O Alerta do BBB 26: Quando a Estética Ultrapassa os Limites do Natural O que se viu no reality show foi um microcosmo do que especialistas observam diariamente. A biomédica Dieick de Sá e a dermatologista Marília Acioli foram vozes importantes ao analisar os resultados visíveis nos participantes, destacando como o excesso, especialmente em preenchimentos, pode ser facilmente detectado. Lábios excessivamente volumosos, queixos e mandíbulas projetados de forma artificial podem não apenas descaracterizar as feições individuais, mas também gerar um aspecto mais envelhecido em pacientes jovens. Este cenário de “padronização facial”, onde todos buscam os mesmos contornos e volumes, representa um risco iminente à identidade. A principal mensagem dos especialistas é clara: o papel do profissional ético não é apenas aplicar técnicas, mas principalmente orientar, educar e, quando necessário, dizer “não” a procedimentos que comprometam a harmonia e a naturalidade do paciente. Essa discussão ganha ainda mais peso quando observamos os números do setor no Brasil. Com um mercado que movimentou R$ 48 bilhões em 2025 e projeções que alcançam US$ 41,6 bilhões até 2028, a demanda por procedimentos é massiva. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), realiza-se cerca de 1,5 milhão de procedimentos estéticos anualmente. Nesse cenário de alta demanda, a escolha de um profissional qualificado é crucial. Buscar uma clínica de dermatologia especializada, que priorize a segurança e a individualidade do paciente, é o primeiro passo para garantir resultados satisfatórios e evitar arrependimentos, assegurando que os cuidados com a pele e a aparência estejam em mãos seguras e responsáveis. Da Harmonização ao “Quiet Beauty”: A Evolução dos Fundamentos Científicos Para entender o debate, é preciso conhecer a ciência por trás dos tratamentos. Os preenchimentos, majoritariamente à base de ácido hialurônico, são ferramentas fantásticas para volumizar áreas como lábios e mandíbula. Sua ação consiste em atrair água e ocupar espaço, restaurando volumes perdidos ou criando novos contornos. No entanto, o excesso subverte seu propósito, criando projeções artificiais e desproporcionais. Por outro lado, procedimentos como a lipoaspiração, que remove gordura localizada através de cânulas, visam modelar o contorno corporal. Ambos, quando bem indicados e executados, trazem excelentes resultados. O problema reside na aplicação indiscriminada e na falta de um planejamento que considere a estrutura única de cada indivíduo. Em resposta a essa onda de exageros, uma nova filosofia ganha força no mercado global: o “Quiet Beauty” (Beleza Silenciosa). Essa tendência, prevista para dominar o cenário em 2025-2026, desloca o foco dos grandes volumes para a qualidade da pele. A prioridade passa a ser a bioestimulação, técnica que utiliza substâncias como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio para induzir o corpo a produzir seu próprio colágeno. O resultado é uma pele mais firme, espessa e de melhor qualidade, que serve como uma “tela” muito mais preparada para receber ajustes pontuais e discretos com preenchedores ou toxina botulínica. Tecnologias de alta performance, como ultrassom microfocado e lasers não ablativos, complementam essa abordagem, promovendo um rejuvenescimento de dentro para fora, com resultados naturais e duradouros. A ciência evolui para oferecer não uma máscara, mas a melhor versão da beleza autêntica de cada um. Aplicações Práticas e Protocolos Individualizados: Da Correção Pós-Bariátrica à Prevenção Os casos do BBB 26 ilustram perfeitamente a necessidade de protocolos personalizados. Solange Couto, por exemplo, representa um perfil de paciente pós-bariátrica que perdeu mais de 40kg. Seu percurso cirúrgico foi extenso e planejado, incluindo lipoaspiração em múltiplas áreas (“megalipo”), abdominoplastia, mamoplastia com implante de silicone e remoção de excesso de pele das costas. Neste contexto, o Dr. Jairo, um dos especialistas que comentou o caso, ressalta a importância de um planejamento progressivo e seguro, onde a prioridade é a função e a segurança, antes mesmo da vaidade. É fundamental que o paciente atinja um peso estável e tenha condições nutricionais adequadas antes de se submeter a tais cirurgias reparadoras, que envolvem cicatrizes planejadas mas significativas. Já o caso de Aline Campos, uma paciente mais jovem, acende o alerta para os preenchimentos faciais. A abordagem ideal, segundo a tendência do “Quiet Beauty”, seria iniciar com a bioestimulação para fortalecer a estrutura dérmica e, somente depois, realizar aplicações pontuais de ácido hialurônico para refinar detalhes. A pressa por resultados volumosos pode pular etapas cruciais de preparo da pele, levando a resultados artificiais e, por vezes, de difícil reversão. O desafio comum, portanto, é o exagero impulsionado pela pressão das redes sociais. A solução proposta por especialistas é uma orientação ética rigorosa, a recusa em realizar procedimentos desnecessários e a valorização da individualidade, adaptando cada tratamento ao tipo de pele, estrutura facial e histórico do paciente. Visão do Futuro: Regulamentação, Ética e a Busca pela Autenticidade O futuro da dermatologia estética aponta para um caminho de maior maturidade técnica e ética. Com previsões de crescimento anual de 5% a 6% até 2030, o setor se prepara para novas regulamentações esperadas para 2026, que devem elevar a exigência sobre a qualificação dos profissionais. Essa profissionalização é essencial para combater a banalização dos procedimentos e garantir a segurança do paciente. A tendência do “Quiet Beauty” não é apenas uma moda, mas um reflexo dessa nova consciência, onde menos é mais e a saúde da pele é a verdadeira protagonista. O debate atual gira em torno da pressão exercida pelas redes sociais versus a preservação da identidade natural. Profissionais como Dieick de Sá reforçam que um especialista ético tem o dever de proteger o paciente de seus próprios impulsos, muitas vezes influenciados por filtros e padrões irreais. Combos cirúrgicos agressivos, como a “megalipo”, continuarão a ser questionados por seus riscos inerentes. A perspectiva é de um mercado mais consciente, onde os pacientes buscarão especialistas que não apenas executem procedimentos, mas que atuem como verdadeiros consultores de beleza e saúde, cocriando um plano de tratamento que realce suas características únicas de forma sutil e elegante. A tecnologia avançará, mas o olhar clínico e o senso estético apurado do dermatologista serão cada vez mais valorizados. Dados que Refletem um Mercado em Transformação Os números consolidam a posição do Brasil como uma potência no mercado da beleza, mas também revelam nuances importantes. Embora 87% dos procedimentos ainda sejam realizados em mulheres, o público masculino registra um crescimento expressivo, com um aumento de 20% na busca por tratamentos estéticos em 2025 e de 95% em cirurgias globalmente entre 2018 e 2024. Curiosamente, os homens tendem a priorizar resultados mais discretos, alinhando-se à tendência do “Quiet Beauty”. A lipoaspiração se destaca como o procedimento no qual o Brasil é o número 1 mundial, seguida pela prótese de mama e rinoplastia. Globalmente, contudo, a blefaroplastia (cirurgia das pálpebras) lidera o ranking da ISAPS. Outro dado crucial é que os procedimentos minimamente invasivos (como toxina botulínica e preenchedores) já superam em número as intervenções cirúrgicas, indicando uma preferência por tratamentos com recuperação mais rápida e resultados mais sutis, reforçando o caminho para uma estética mais preventiva e menos corretiva. Recomendações dos Especialistas do SKIN TODAY Priorize a Qualidade da Pele Antes do Volume: Antes de pensar em preenchimentos para volumizar, invista em protocolos de bioestimulação. Construir uma base sólida de colágeno resultará em uma pele mais firme e saudável, permitindo que ajustes posteriores sejam mais sutis e naturais. Escolha um Profissional Ético e Orientador: Busque um dermatologista que realize uma avaliação completa, entenda seus objetivos e tenha a coragem de dizer “não” a pedidos exagerados. A relação de confiança é a chave para um resultado satisfatório e seguro a longo prazo. Adote um Planejamento Progressivo e Personalizado: A beleza não é uma corrida. Em vez de buscar transformações radicais, desenvolva um plano de tratamento gradual com seu médico. Para pacientes pós-bariátrica, isso é ainda mais crucial, respeitando o tempo do corpo para estabilização e recuperação. Fontes de referência para este artigo incluem relatórios e dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Mordor Intelligence, Sebrae e declarações de especialistas da área publicadas em veículos de notícias relevantes.



